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quarta-feira, 11 de abril de 2012

O Rebelde

Em uma época que a camiseta regata fazia parte exclusivamente de looks underwear, ele a combinou com uma calça jeans, uma jaqueta de couro e atrevidamente saiu às ruas. Vestido “como um vagabundo” de acordo com os jornais daquele tempo, James Dean marcou época e até hoje é símbolo de rebeldia e de toda uma juventude pós-guerra. Viveu sua curta vida nos anos 50 e quebrou todo o glamour e formalidade de Hollywood com seu olhar firme e estilo casual.




Apesar de sua morte precoce aos 26 anos de idade, em um grave acidente de carro, construiu uma das mais meteóricas carreiras de Hollywood. Sua imagem de ator cult permanece porém, inalterada até hoje e dificilmente outro ator influenciou ou influenciará tanto uma geração como James Dean. Foi imortalizada no filme Rebel Without a Cause, 1955 (Juventude Transviada) lançado após sua morte. Muitos dizem que Jim Stark, personagem vivido por Dean, é o retrato fiel da personalidade singular do próprio ator. Foi também indicado ao Oscar  postumamente em duas ocasiões: no ano de 1956 por East of Eden (Vidas Amargas) e em 1957 por seu papel em Giant (Assim caminha a Humanidade). Ambas como melhor ator.


















Festas regadas a bebidas e cigarros eram uma constante na vida do ator que possuía uma enorme paixão por carros e velocidade. Contemporâneo de grandes nomes como Elvis Presley e Marlon Brando, Dean se destacou e foi reconhecido como o grande ícone dos anos 50. O que o diferenciava dos demais era sua rebeldia inerente a sua personalidade, bastante refletida em seu modo de vestir.  Brando chegou a declarar que Dean, fã incondicional do ator, copiava seu estilo, o que o entristeceu bastante. A principal diferença entre Marlon Brando e James Dean era a sensibilidade associada a rebeldia. De uma certa forma pode-se dizer que faltava um pouco de delicadeza no esteriótipo rude de Brandon.

Trailer do filme Rebel Without Case, 1955 (Juventude Transviada)


Com seu incrível senso de estilo James Dean se distanciou das massas, desafiando as convenções da conservadora sociedade da época. Ícone da Cultura Pop, até hoje é objeto de pesquisa em diferentes campos científicos. Camiseta branca e calça jeans surrada combinada com um par de botas, uma jaqueta de couro e seu famoso topete formavam o visual do ator. Dean foi responsável por dar uma imagem jovial ao guarda roupas masculino. Desde então o chamado estilo High Low (mistura de peças sofisticadas com peças básicas) nunca mais saiu de moda.





















































À frente de sua época, James Dean deixou um legado pequeno, mas icônico na cultura e na moda. Se estivesse vivo teria 81 anos de idade. Humphrey Bogar, considerado o melhor ator norte americano, declarou:  “Dean morreu na hora certa. Ele se tornou uma lenda tão grande, que se estivesse vivo, não conseguiria manter toda essa publicidade”.

sexta-feira, 30 de março de 2012

A Moda como Modo de Subjetivação

Do Moda Manifesto

Helena de Barros Soares*

Psicólogos e psicanalistas concordam que a modernidade traz consigo o que chamamos de declínio da “função paterna”. Isso quer dizer que os sujeitos não se orientam mais pela palavra, pelo valor que esta carregou outrora consigo, a família e as organizações com hierarquia rígida perdem a importância e impacto social. O homem não vale mais o que diz e sim como se mostra, como se apresenta. Instaura-se a era da imagem construindo uma crise do pensamento. O sujeito de hoje se inclui socialmente por saber traduzir códigos apresentados em imagens.


A propaganda, em todos os segmentos, vale-se de estímulos visuais reais e/ou virtuais para seduzir seu cliente. A credibilidade da empresa não é mais o importante. Dinamismo, capacidade de lidar (e mostrar-se) com o diferente, e principalmente a tradução da imagem é o que se exige do homem moderno. Todas essas características são também intrínsecas à Moda: um fenômeno sócio-cultural que exige de todos uma constante atualização, velocidade de ação e reação e posicionamento, mesmo que este mude de forma quase que instantânea.



Porém, ela oferece a criação como um território de existência onde qualquer um pode (desa) parecer o que e quando quiser. A indústria da Moda associada à inerente criatividade do ser humano possibilita que o infinito se coloque como limite para o vestir/aparentar. Cada um pode inventar um modo, um estilo para si compondo diferentes estilos como os propostos pelas revistas, televisão, vitrines (desde shoppings elitizados, até o cabide do camelô), feiras de artesanato, e outras janelas de figurinos que cada um de nós poderá achar (uma foto antiga, um quadro de Frida Khalo, um filme com Audrey Hepburn, etc). Somos os figurinistas de nossas próprias vidas, compositores de um guarda-roupa flutuante.



















É ponto pacífico entre diferentes estudiosos que a Moda visa comunicar; que mesmo sendo um recurso visual, ela carrega uma teia de significados conscientes ou inconscientes que afetam as relações no cotidiano. É neste momento torna-se pertinente os questionamentos das ciências sociais acerca dos efeitos subjetivos que se colocam tanto ao indivíduo como em suas relações. Assim como a arte, o esporte, a política e a tecnologia, a Moda causa efeitos e também é recurso na produção de subjetividade. 




















E aí? Será que a velocidade com que se solicita dos indivíduos atitudes que o incluam no social possibilita que os mesmos assumam sua diferença? Seria possível uma mulher de meia idade não desejar caber em um jeans de uma mulher de 20? Será aceita entre seus pares a menina de oito anos usar uma confortável calça de moletom que a possibilite subir em árvores? E mais do que isso é possível desejar algum desses exemplos e suportar a angústia de ser diferentes? A Moda mostra-se como pura possibilidade. A criação, a cultura é o que caracteriza o homem.



















Meu convite aqui é para nós, profissionais pensantes das disciplinas do social (Psicologia, Filosofia, Sociologia, Antropologia, Medicina, etc) nos coloquemos numa posição de escuta do brilhante efeito criativo da Moda e também seus mecanismos perversos de adoecimento. A Moda faz valer qualquer produção singular e a acolhe. É necessário que o homem se aproprie deste recurso rico, que é um modo de subjetivação, antes que o mesmo lhe engula.

*Helena de Barros Soares - formada em Psicologia em 2005, atua na clínica psicológica e como acompanhante terapêutica; também faz intervenções em organizações de produção de moda.